quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ponto neutro

Tem gente que acha que ele não existe

Tem gente que acha que isso não se alcança

Tem gente que acha que ele é impossível

Tem gente que prefere ser criança


Eu prefiro ser criança

Não ter nada programado

Eu prefiro ser criança

Enxergar entre os dois lados


Eu tenho ele aqui comigo

E não tenho medo de mostrar

Pra conseguir eu corri perigo

Mas tive que me arriscar


Cresci até nascer de novo

E poder desprogramar

Entrar na casca do ovo

Pra reaprender a voar


Provei do doce e do amargo

Andei de noite e dia claro

Não cansei de experimentar

Depois que achei o ponto neutro

Em cima do muro estreito

Comecei a enxergar

Que pra saber algo direito

Tem que tirar de dentro do peito

Tudo que vai te atrapalhar


Pra depois poder ver tudo

Sem trave no olho e sem escudo

Pra reter só o que é bom


Hoje eu ouço qualquer música

E mesmo um pouco surdo

Depois de ouvir qualquer barulho

Eu descubro qual é o tom


E mesmo fraco e pequeno

Simples como uma pomba

Eu descubro o veneno

De todo o mau que me ronda


Porque eu já conheço os dois lados

E o terceiro lado também

E pra quem ainda não acredita

Na existência desse trem

Pode esperar no ponto neutro

Que vai pegar ele também

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